[Resenha] Dilacerada, Helô Delgado

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Título: Dilacerada
Autora: Helô Delgado
Editora: Coerência
Páginas: 230

"- Mesmo quando pessoas muito próximas nos machucam, não conseguimos extinguir os sentimentos que temos por elas. "

Resenhar Dilacerada é um sonho realizado. Quando a Helô começou a escrever, ela me convidou para ser uma de suas betas e acompanhar o processo de escrita e a evolução dela como autora foi algo fascinante.

Dilacerada é um romance com um quê de drama que nos apresenta à história de Vivian, uma jovem adulta de 27 anos, que teve seu passado marcado por várias situações complicadas. Ela está, agora, fazendo terapia e revivendo todos os momentos bons e ruins.

Vivi, como nossa personagem é conhecida, cresceu dentro de casa com sua irmã, Valéria, uma jovem que possuí síndrome de Down, e sua mãe, Karina, uma mulher muito controladora. As três vivem numa casa afastada, estudam em casa e Vivi sai apenas para o fundo da casa, por 30 minutos, quando cumpre todas as tarefas que a mãe deixa ao sair para trabalhar. 
“Por que diabos eu era obrigada a ficar em casa? Por que minha irmã não podia frequentar escola normal ou uma especializada para lidar com sua condição genética?”

A mãe alega que elas não podem sair e o acesso delas a TV, jornais e revistas é selecionado pela mãe. Internet? Ela não sabe nem o que é. Entretanto, a vida segue e elas já estão acostumadas. Tudo muda quando Vivi percebe um rapaz da sua idade próximo de casa. Seu nome é Lucas e eles começam a ter uma amizade e conversarem, principalmente, através da janela e escrevendo em seus cadernos. Apesar de as visitar de Lucas serem um refúgio para Vivi, elas levantam diversas questões e causam muitas brigas entre mãe e filha. Como Vivi poderia conciliar seus dois amores?

Como disse, fui beta reader desse livro. A primeira versão já era incrível, mas essa segunda superou todas as expectativas além de fazer meu coração se partir. Vivi é aquele tipo de personagem que conquista o leitor na primeira página e nós torcemos para que tudo se resolva, para que a mãe deixe de ser controladora, para que Lucas seja um salva-vidas em sua vida e a tire dessa situação, para que Val – sua irmã – tenha um futuro melhor, enfim. O livro inteiro nos dá essa sensação: de pertencer à história e torcer para que ela dê certo. 
“Dor pela perda, dor pela esperança que tínhamos, dor pelo que poderíamos ter vivido, dor por todos os anos de cuidado e amor que nos fora roubado, dor por tudo o que vivemos, dor por não ter aproveitado melhor nossos últimos dias, dor por não ter sido forte, dor pela saudade que eu sabia que carregaria eternamente, dor por não ter dito que amava quando tive oportunidade.”

Mas, como disse, o livro é um romance com um quê dramático, então, tem várias situações que seu coração será dilacerado – desculpem o trocadilho, mas não resisti! Em outros momentos, entretanto, você tem uma chama de esperança aquecendo seu coração. A Val e o Lucas são dois personagens apaixonantes, eu desejei trazê-los para a minha vida, pelo menos, até descobrir o que ele fez – momento raiva!

Já a Karina, mãe das meninas, foi uma personagem intragável, sério. Mesmo depois que compreendi seu lado, suas escolhas e todas as abdicações que ela fez ao longo da vida, não consegui gostar dela. Eu a odiei desde o momento que ela apareceu, mas isso não é negativo, pois é muito difícil eu ter um sentimento tão forte assim por um personagem.


Em relação ao desenrolar da história é tudo muito bem escrito e desenvolvido, mas o ponto alto do livro são as revelações que temos ao final – que eu não posso contar para não estragar a surpresa. A Helô me pegou de jeito nesse momento e fiquei boquiaberta, mas percebi que tudo na vida nós podemos superar. Não há sofrimento que supere o amor que podemos ter dentro de nós e, se escolhermos o amor, estaremos trilhando o caminho correto. 
“Parecia que a cada dia um dos pedaços do meu coração estilhaçado era colado de volta no lugar. Ficavam cicatrizes, porém eram muito mais leves do que o vazio causado pelos pedaços perdidos. Aos poucos recuperava o formato original.”

Dilacerada é o primeiro livro que concluí esse ano e já sei que será um dos melhores. Ele é bem escrito, original e com personagens extremamente bem desenvolvidos. O único problema que eu poderia ressaltar nele é que ele teve um fim.


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